sexta-feira, 13 de setembro de 2024

 


O Desabrochar da vida

É o perfume que exala a manhã

Prefiro a doçura das flores

e o encanto das visitas inesperadas.

O néctar existencial

cede a partilha ao distante

Produzir é iminência.

Voos rasantes não adormecem asas!

O olhar também voa

pousa em terras distantes

O tempo é precisão

Dura suficientemente

Para o cair das pétalas

e o distribuir das sementes

porvir.

Minhas preferências...

Docilidade da alma.

Dos espinhos só a guarita aos botões.

sábado, 30 de dezembro de 2023

RETALHOS


De retalhos, forjam-se as  linhas... entrelaçandos aos pedaços o mosaíco renegado.

Trabalhado por incansadas mãos, o tempo ajusta o abandonado da vida.

É o olhar que prevê a costura sigilosa das incertezas; pequenos detalhes.

Tornar-se colcha é possibilidade dos retalhos. 

Julgamento do improvável. 

Nostalgia de um ciclo iminente. 

Gosto de construções guardadas, sem retóricas.

quinta-feira, 3 de agosto de 2023

Tempo

 




Dentro do tempo:

Entre a terra e a semente: a raiz 

Entre a semente e a planta: a folha

Entre a planta e o botão: a abelha

Entre o botão e a flor: o perfume

Entre o fruto e a nova semente: a esperança 

Entre a vida e a existência: Deus

segunda-feira, 26 de setembro de 2022

EU VI UM ESTUDANTE

 

Eu vi correndo de mochila nas costas para chegar na hora certa na escola; era sorriso aberto, abraço horizonte, flor na mão, cartão coração: “Eu te amo professora.

Eu vi a letra dançar, desenhar com segurança a firmeza do lápis. Escrevia o primeiro nome. “Professora, sei escrever o nome completo.”

Eu vi o olhar brilhando, juntando as letras, fazendo a primeira leitura. Pipocando misteriosamente. A professora chorou de alegria: “Hoje, Maria Leu. Quanta emoção!”

Eu corrigi a tarefa feita. Vi o capricho no caderno; a nota final e a passagem do ano.

Eu vi o olhar triste. O medo e a ansiedade, roupa surrada. Folhas rasgadas. Não tinha material escolar.

Eu vi o desejo de aprender escondido no submundo da vulnerabilidade, lutando contra a fome, almejando uma caixa de lápis de cor, espalhada na mesa do colega ao lado.

Eu vi a pesquisa; o trabalho apresentado, a maquete construída, a avaliação atenciosa, a pergunta instigante.

Eu vi a frequência fiel nas aulas de educação física, correndo com a bola aos pés, driblando o solitário e externo mundo escolar.

Eu vi o choro do professor, o vermelho no bimestre, a negligência chegar. Eu vi a escola ficar sozinha.

Eu vi a formatura, a despedida, o agradecimento e o abraço em saída.

Eu vivi o retorno. A escola sofrendo com o novo desafio. A incerteza pedagógica. Mas, a alegria de estar presente novamente.

Eu vi a escola desafiante, desafiada, desafiadora.

Eu vi o meu aluno buscando na escola um lugar para ser.

 

 

Cristiano Oliveira

sexta-feira, 19 de março de 2021

PERFUME

 


A rosa, em sua beleza

a exalava pelo jardim.

Perguntou ao beija-flor, quando foi beijá-la:

-  Por que os botões, não são iguais a mim?

 

O beija-flor pousou suas asas e a rosa respondeu:

- Veja esses botões. Tu também foste assim!

Ontem mesmo, no cair da noite teu botão chegaste ao fim.

 

A rosa admirada, quase nada compreendeu.

Porém, o beija-flor olhando para rosa

Outra explicação lhe deu:

 

- Não preocupes com isso, pois tudo é passageiro.

Amanhã tu serás diferente deste jeito que amanheceu.

 

O beija-flor em despedida, ainda acrescentou:

-  Veja essas pétalas espalhadas pelo canteiro.

Com o tempo tudo acaba. Mas, não te preocupes!

O importante é viver cada momento por inteiro.

terça-feira, 21 de julho de 2020

O PÊNDULO DO TEMPO


Às vezes me deparo em desencontros.
Recobro o instante;
perco-me no vazio do tempo.
Meus devaneios reforçam o pensamento.
Reflito com o isolamento.
Desdobramentos...
Uma pausa!
Deleito no momento; encantamento!
Saudade é uma tal coisa apertada,
desejada em partir...
Sinto falta da estrada, da curva desconhecida
Do cheiro do vento que sopra no litoral
Tenho saudade doída do abraço.
Do olhar...
Do sorriso...
Não sei o que faço!
Apenas me laço em memórias...
Saudade do não bem vivido
arrependido... aperto doído...
consumido pelo tempo perdido.
Viagens e saídas não saem dos planos.
Rodas de boteco,
beira de calçada,
prosa esticada.
Que venha logo o fim de ano!
Meus devaneios... meus encontros.
Receio pela palavra que aproxima
O ponteiro que o tempo controla.
Ordem ao caos
Existir, me anima.
Neste pêndulo andarilho
Penso no não feito
No sem jeito,
Que move meu peito.
Perco quando me encontro!
Sou apenas o brilho
Da prece
De quando Deus sai do seu esconderijo
E afaga meu rosto tão rijo.

Crisjoli Fingal - Inverno de 2020

domingo, 31 de maio de 2020

FUGIDIAS



Nas areias do deserto
Sem rios e sem paredes
A alma perdida, 
o destino é incerto
A garganta cala em sede.

A solidão é fugidia
E o tempo é uma miragem.
Nessas areias tardias.
Caminhar é uma vantagem.


terça-feira, 31 de março de 2020

ABRIU-SE


Eis abril e aqui estamos neste universo, trancafiados, buscando entender a máquina do tempo. Ela parece engastalhada, quase travada, buscando enquadrar-se dentro dessa nova era. A engrenagem que procrastinou o limite da existência humana e ditou a polarização dos rumos da sociedade pós-moderna não pode mover-se como antes.
Abriu-se o tempo para introspecção; eis a grande verdade! Abriu-se as verdades da paciência, da escuta, da igualdade, do limite e da reflexão. Torna-se verdadeiro o encontro, a divisão das tarefas de casa, a partilha das responsabilidades familiares e da educação dos filhos.
Com alvorecer da verdade percebemos que é mentira a crença que tudo isso é apenas passageiro. É certo que precisamos mudar o estado espiritual, ético, humano e psicológico dessa viagem interior.
Mentira foi a crença de que evoluímos plenamente. Mentira foi que tivemos grandes conquistas. Mentira é o discurso do estado mínimo. Mínimo é o recurso miserável dos pobres e dos marginalizados da sociedade que tem fome, sede e sentimentos.
Chegamos na abissal sombra da solidão e do egoísmo. Encontramos a sombria página da nossa história. Mentira é a de estarmos no fim, e que é Deus quem causa isso. Deus da vida não mata a criação. Deus é paz e confiança! Eis a verdade do amor.
Não é verdade que tudo voltará ao normal. Se alcançamos esse ponto não estávamos bem. Não podemos aceitar com normalidade este estado de barbárie.
Agora estamos numa pausa terrena e esperamos a porta se abrir. Na hora certa ela se abrirá e o rompimento deste casulo nos levará a mudar o mundo, pois devemos sair melhores e transformados.
Ninguém é culpado! Ninguém deve ser condenado. Somos todos navegantes e como nos ajuda a rezar Francisco, estamos no mesmo barco: “Demo-nos conta de estar no mesmo barco, todos frágeis e desorientados mas ao mesmo tempo importantes e necessários: todos chamados a remar juntos, todos carecidos de mútuo encorajamento. E, neste barco, estamos todos.
O que deve abrir-se nesse tempo é o oceano do amor e do respeito, para que, ao fim desta navegação possamos nos aportamos no cais de uma nova existência. Eis a nossa fé e a nossa esperança!
Abre-se abril!!!

terça-feira, 24 de março de 2020

INQUIETUDE



Meus sonhos e minhas vontades
Minhas angustias e minhas tristezas
Tenho fome e sede, saudades e alegrias
Tenho meus medos e minha fé
Tenho segredos e inquietações.

Sou feito de carne e de sentimentos
Danço livre no canto vazio do meu quarto
Espreguiço no silêncio do meu sofá
Faço leituras para a alimentar o espírito
E no meu fogão cuido dos melhores sabores
Parece tão pouco!

Vivo um universo de ansiedades
Quero gente! Quero conversar!
Quero trabalhar e correr pelas ruas
Sou a máquina impulsionada pelo tempo!

Agora... eu sei que existe o vento
Que toca as cortinas da minha janela.

Sinto o cheiro dos temperos.
Descubro as cores das plantas.
Das melodias preferidas
Que nunca esqueci
Reencontro palavras

Sei que a saudade de um abraço
Não é apenas a falta do calor
Mas minha necessidade de tocar.

Meu mundo é tão maior que o mundo.
Meu tempo é tão menor que o tempo.
Minha oração bem mais forte que minha prece!
Deus, um ser tão presente!
Deus um toque constante!

Tudo em mim tem causado estranhamento.
O porto não é planejamento.
E o coração é minha mão
Que lava todas as minhas lembranças.

Nisso tudo descubro que há muito mais de que sabia
E que a minha casa tem gente
E que a vida apenas pediu - pausa.

Por onde andei durante todo esse tempo?
Tempo? O que fiz de ti?
O que fizeste em mim?


domingo, 8 de dezembro de 2019

REMINISCÊNCIAS



Minha casa perdida de terra batida
Polida à taipa – pau-a-pique
Saudades do que foi a vida
De tão distante meu Moçambique

Som da terra! Cantiga ao vento!
Corria o sol, removia o chão
Rodas e danças; media o tempo
Era a África o meu coração!

Brasil – promessa nova de mãe gigante
Chorava a saudade fugida à lembrança
No meu sertão, o horizonte doravante
Não nasceu sonho nem cresceu esperança.

Minha casa velha, cobertura de sapê
Sem a água, sem energia
Mordomia para quê?
A casa se desfez no toque do tempo
E o vento continua tocando o que não se vê.


quinta-feira, 31 de outubro de 2019

SAUDADE


Guardada nos velhos retratos
Nas mobílias esquecidas pelos quartos.
Entrelaçada pelas janelas ao quintal
Minha saudade é um amor sem igual.

Nas varandas em sombras frescas
Recordando as histórias pitorescas
No terço, aos pés de Nossa Senhora
A saudade é a oração de todas as horas.

No cheiro do café em coador de pano
Nas palavras abençoadas com sinal da fé
A saudade é cheiro do meu cotidiano.




domingo, 27 de outubro de 2019

PASSAGEM DO VENTO



O vento veio de longe
Cantava pelos montes
Costurava as montanhas
Perscrutava minhas entranhas.

O vento veio ligeiro
Assoviava... era mensageiro
Veio à tarde. Partiu de manhã
Foi tão passageiro!

Foi quietinho; em brisa suave.
Refrescante...  Calmamente.
Decantou o orvalho matinal.

O vento ficou sozinho em noite escura
Renovou as ondas. Não fez nada mal.

Tocou o meu rosto. Secou o meu suor
O vento veio... Ficou pouco tempo!
O vento foi na balada do vento

segunda-feira, 14 de outubro de 2019

SOU PROFESSOR




Sou a voz que ensina e orienta
Que canta, que vibra e que pensa
Sou os olhos que vê o mundo
Que sonha e guarda o mais profundo
Do sentimento, sou a paixão do ato de ensinar
Sou minha profissão, dedicação em educar
Sou o trabalho resistente e a força do dia a dia
Sou o livro, a aula, a lousa e arte com magia
Sou a invenção, a crença, a ciência
Sou a educação, a diferença, a resiliência
Sou os ouvidos sempre atentos, sou escuta
Sou esperança, que ensina e que estuda
Sou o ato de amor!
Sou professor!!!

sábado, 12 de outubro de 2019

PRIMAVERA



Vi o cheiro das flores espalhado pelas asas das borboletas
Com o colorido que tocavam o vento.
As flores dançavam e as borboletas cantavam
Vi o vento tocar a primavera.
Perfumando as folhas do jardim.
Corria a tarde...
Debruçava o sol no fim da montanha
Sabiá cantava para a noite.
Ouvi a coruja recebendo a lua cheia.
Quebrando o silêncio que queria apenas adormecer.


Crisjoli Fingal

domingo, 6 de outubro de 2019

DOMINGO


Não gosto de domingo à noite
Coisa esquisita com saudade doída.
Missa rezada e prece esquecida no altar.
Tem visita amiga;
café com recordação
em história adormecida.
Parece estação de trem
Não sei se é chegada ou partida.
Fim ou começo de semana.
Só sei que amanhã é segunda-feira.


terça-feira, 29 de janeiro de 2019

O QUE VALE A VIDA, VALE?


O que vale a vida, VALE?

O quanto vale a vida, se é que algo lhe vale.
Diante da triste realidade, para que a voz não se cale
Mais um rastro de morte, é isso que vale, VALE?
Muitos agora se foram neste vale...


E não foi ontem e nem anteontem
Que a cena cruzou o “fundão”
Agora mais uma passagem sofrida,
Que tira mais vida, soterrando “feijão”!


Nós aqui, como bons mineiros
Não sofremos só um cadinho.
A gente chora de corpo e por inteiro
Com as lágrimas de Brumadinho.


O que quer que hoje vos fale
Nossa indignação: Oh, VALE!
Será que o que vale é o seu capital
Convença-nos, se lhe foi dito algo irreal!


Oh, Mariama! Mãe Querida!
Cuidaste das dores de Mariana
Agora, suplicamos teu carinho.
Cuide mais uma vez dos mineiros
E das dores, dos de Brumadinho.




25/01/2019  Crisjoli Fingal

domingo, 20 de janeiro de 2019

PRECE AO ONTEM



Vivendo em meio às frases incompletas
O tempo passou devorando os seus dias
Você vivia em busca de suas metas
Em terras distantes, em sonhos vivia.

Em meio a sorrisos e a aventuras
Você seguiu os passos da sua trajetória
Construiu com coragem e bravura
Cada página de sua linda história.

Parece que tudo foi ontem
E que até agora nada passou
Mas, o tempo perdido do ontem
Foi um tempo que já se acabou

Do ontem carrego todas as saudades
Bem como todas as frases incompletas
Revivendo em mim nossa amizade
Deixando para sempre: portas abertas.

Ao amigo JB
Crisjoli Fingal

terça-feira, 15 de janeiro de 2019

FUJA SEMPRE



Fuja para um lugar qualquer
Fuja para qualquer canto
Onde tenha poucas palavras
E muitos encantos

Fuja de tudo o que é cansativo
E busque somente
o que lhe é expressivo.

Fuja do tempo e do vento
Só não fuja daquilo que mora dentro
Bem dentro do coração

Fuja daqui e dali
Fuja para se descansar
Fuja em busca de novos amores
Sem medo de os encontrar.

Fuja para as águas
Para a praia e para o mar
Fuja para as nuvens
Sem medo de voar.


sábado, 12 de janeiro de 2019

MELODIA


Em busca de um novo olhar
Sinto o calor de sua voz
Na melodia inconfundível
Que não me deixa a sós.

O que ora cantas, tem nossa história
Retrata um pedaço de nossas vidas
Parece-me que vivo o agora
A mesma música daqueles dias

Nossa história virou passado!
Foi apenas uma canção
Que não é cantada mais
Pois perdeu a razão


quinta-feira, 3 de janeiro de 2019

TERAPIA


Caminhei pelo seu jardim
Fiquei encantando com tanta beleza
Encontrei um pouco de mim
Mesmo não tendo nenhuma certeza.

Sentei embaixo do pé de uma magnólia
Na sombra das copas verdejantes
Recordei com alegria da nossa história
E do que ficou bonito entre a gente.

As borboletas encantadoras
Voavam de rosas a jasmins
E nossa história não ficou duradoura
Quando decidimos pôr um fim.

O amor não é palavra vazia
Precisa ser regado diariamente
Sobrevive quando há energia
Plantada no coração e na mente. 

Crisjoli Fingal