sexta-feira, 26 de maio de 2017

MEU ABRAÇO





Quero-te em meus braços
Para acalmar o coração
Às vezes não sei o que faço
Quando sinto a solidão

Alegra-me os teus passos
E de longe estendo a mão
E duplica em compasso
As batidas do meu coração

Espero-te meu abraço
Calor que cura em perdão
E por ti bendigo este laço
Que é alegria e oração

Crisjoli Fingal

quinta-feira, 18 de maio de 2017

DESABAFO


DESABAFO (Com licença, Drummond)

E agora, José?
a mídia anunciou,
o país balançou,
a crise aumentou,
o povo sumiu,
a noite esfriou
e agora, José?


E agora, você?
você que tem partido,
que critica o do outro,
você que faz piadas,
que zomba, protesta?
e agora, José?


Está sem crédito,
está sem discurso,
está sem ética,
já não pode votar,
já não pode sonhar,
falar já não pode,
a noite chegou,
a mudança não veio,
a liberdade não veio,
o direito de ir e vir não veio,
não veio a democracia
e tudo acabou
e tudo mentiu
e tudo zombou,
e agora, José?


E agora, José?
Sua pobre palavra,
seu nojo da plebe,
sua fuga e medo,
seus processos,
sua delação premiada,
seu terno de vidro,
sua impunidade,
seu pódio — e agora?

Com a mídia na mão
quer cobrir a mentira,
não existe mentira;
quer viver a zombar,
mas a máscara caiu;
quer acabar com o Brasil,
Brasil não te quer mais.


José, e agora?

Se você evitasse,
se você renunciasse,
se você pedisse
perdão ao povo,
se você sumisse,
se você desistisse,
se você morresse...
Mas você não morre,
você é corrupto, José!


O povo no escuro
qual bicho-do-mato,
sem emprego,
sem aposentadoria
para desfrutar,
sem democracia
vítima do golpe,
você marcha, José!
José, para onde?


Por Cristiano Oliveira

quarta-feira, 17 de maio de 2017

TEMPO




Com o tempo a gente aprende
que a pedra se desgasta
vira areia e se perde na terra
ou desaparece com as águas.

Aos poucos a gente descobre
que a semente não morre
ela apenas adormece
e ressurge em plena planta.

A gente valoriza a beleza das roseiras
respeita os espinhos,
e descobre o cheiro das rosas.

Com o tempo a gente valoriza a amizade
dá um abraço mais apertado.
E, quando sente saudade procura ligar
para dizer oi e pergunta: Tudo bem?

Com o tempo a gente aprende
que a dor é uma sensação importante
ela humaniza e deixa mais forte
e, que Deus é a única fortaleza.

A gente descobre que tudo passa...
Que as rugas chegam sem permissão.
Que a palavra tem mais valor
E o coração não deve guardar tudo.

A gente aprende que caminhar faz bem
dormir cedo é sinal de descanso.
a gente aprende que a vida é uma só
e que o amar é essencialmente necessário.

Aos poucos a gente aprende que 
o tempo é pouco demais...

Crisjoli Fingal 

terça-feira, 16 de maio de 2017

TRAVESSIA




Corro o risco de duvidar
Da própria natureza
Talvez, o fim seja este lugar
De recordação e sem leveza

Pulo ondas das águas salinas
Que escorreguem pelo seu rosto
É a saudade das gotas cristalinas
Que procura por outro posto.

Navego neste mar sem porto
Sem destino para atracar
O vento é o meu marinheiro
Que me leva neste mar morto.
Crisjoli Fingal

quinta-feira, 27 de abril de 2017

SOBREVIVÊNCIA




Restou ao vento...
Apenas uma folha.
Era a última do outono.
Em sua despedida tímida e solitária.
Carregava a saudade
Do cheiro da flor.

Era o fim da estação
A dormência da vida
Descanso da produção
E a entrega desmedida

O vento frio
Não forçou a queda
Fez sua passagem...
Mas a última flor ficou!

O vento não feriu a natureza
E nem a folha sangrou.

No tempo certo
A folha caiu
E nem o vento testemunhou...

Crisjoli Fingal

Cora Coralina

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