quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Saudação da viola

Mas que viola é essa, caipirantiga, que adispois tanto tipo de cantiga ajudou a fazê?
Que tanto gái vem dessa árvri boa, arvriola, que as raiz são nossos anos e anos de canturia e sufrimento, passado-semente no interior desse mundão-terra?

É viola simpli, sempre, dum jeitão bunito só, do povo de roça : bunito de vivê e de cantá ! misturado, na cidade-grande, em seresta de vida! Por sinar, serenata e viola sempre suberam muito bem di si misturá...

É viola nas voz da mocidade, que tudo que toca é tocá viola, é viola no saco e fora, as voz misturada, imitando as tantas voz da viola qui chora, cumo si fosse muito mais qui dez ! Ixe ! Coisa do além, que gente nova nem sabe donde é qui vem, mas arrepia assim mesmo...

É viola com a mió roupa, roupa de vê-Deus, roupa de ir pra missa. Nos rádio, nas televisão.... Qui todo dia e toda hora é boa, mas dumingo di manhã é viola, num é não?

É viola agitada, baião rasqueado, festêro : acende as cacunda pra dançá e pra pensá bobage! Mas ela mesmo, não. Só de farra, ingenuína que ela só...

É viola desse Brasilzão todo, do coração as ponta, mas que desde o pispio vem forte do Nordeste. Também, tinha qui sê. Nessa sua muita falança de viola, sempre chorosa e sardosa...!

É viola que faz as gente se encontrá e se reencontrá, se juntá tudo, us qui já si cunhicia e os qui ainda não; bom mesmo é tá junto, in vorta dela...

É viola que chega chique, de terno e gravata, dos mestre de uma tar de MPB. Popular e erudita : trivida! Clássica ela mais qui tudo. Mas não aquela das banda grande, barái marcado chei de naipe. Aquela num é viola nunquinha; Daqui a pouco vai querer que violoncelo seja violão !

Aquela xará num é a verdadeira, legitimada nos calo dos matuto de onti, de hoje e de tresantonte. Quinem Dr Rosa falô : us novo vem trazeno num tar de gene todas raiz di um mundo véi de trovadô, qui já era muito inhantes de nóis nem pensar in ixisti...

Violinha qui é raiz, raiz de pau, é pau e corda. Verdadeira. Só dá raiva, seu doutô, é de uns aí que se acha de ser-tanejo, mas num tem viola da bruta : tem mesmo é uns grito elétrico, barulheria, trem copiado dus gringo. Num ingana, não: cupiá dos otro é fácil ! Difícil é espiá os valor de dentro do própio umbigo!

Mas vamo mudá o rumo dessa prosa, que viola boa mesmo é de festa de raiz : Congado, Marujada, Fulia de tradição lá das Minas Gerais. Êta terra danada de boa, sô ! Lugazim que em si só, cumo quem num quê nada, é o Brasil inteiro nu'a cabeçona do mapa! Ali sim é que mió a viola festeja, louva a Deus e agradece!

E óia cumo qui essa viola ficou famosa? ganhou asa de televisão e de rádio, todo Mundo vê e ouve, todo mundo canta cu'ela ?

O tanto de gente nova que tá tocando viola ! é os fruito dessa árvri boa...

NUM É QUE ESSA CAIPIRINHA TÁ PARECENDO GENTE ???


Viola Urbana Viola Urbana
Texto Viola Urbana
(João Araújo)

Tempo

O tempo é uma palavra
Tão pequena
Que pode durar
uma eternidade

Modifica as cenas
Do futuro
Modificando
A verdadeira realidade

No seu presente
faz tudo acontecer
Ensinando ao passado
A vida desenvolver

O tempo judia um pouco
Ensina a crescer!
Mostra vários caminhos
Para a gente escolher.

Cristiano Oliveira

terça-feira, 30 de novembro de 2010

sábado, 20 de novembro de 2010

Dia da Consciência Negra


A melhor forma de incluir é estar no processo de inclusão. Ninguém faz mudança, se não passar primeiro por ela.

O dia da consciência negra é uma data para revermos os conceitos e valores que solidificam o nosso modo de pensar a vida.

Hoje é um dia propício para erguermos nossa consciência em favor do outro, o negro-irmão que nos ensina a partilhar do mesmo pão, com a alegria e festividade que caracteriza a raça negra.



Tela: " Vendedora de Milho" de Toia Neuparth

domingo, 10 de outubro de 2010

Dia do Professor



"Ninguém educa ninguém, ninguém educa a si mesmo, os homens se educam entre si, mediatizados pelo mundo."

Paulo Reglus Neves Freire
(1921 -1997)



Educador Brasileiro


Dia dos Professores

Educar é uma arte milenar que conduz o ser humano, leva-o a sair do engano que a limitação ou imposição do mundo quer lhe conferir.

O papel do educador qualquer que seja esse, seja dúvida ou dor, sempre será feito com amor, pois ele faz do seu trabalho não um quebra-galho, mas um fio condutor, na certeza de que na vida de uma criança é e sempre será um agente transformador.

Na maioria das vezes, ao chegarmos ao topo, ao alcançarmos o ideal pretendido nos esquecemos de que lá estamos pela força da educação que recebemos. Esquecemos que lá chegamos porque aprendemos pela vida que se revelava nas palavras do mestre que nos ensinava a sabedoria do bem viver.

Hoje, até parece que a sociedade não mais carece do ensino do professor. Não há agradecimentos nem preces, pelo ato do labor que foi feito com lutas e insônias, pelo ensino sem parcimônia do trabalho do educador.

Amigo professor, tudo que agora escrevo a você devo por me ensinar. Na escola é que aprendi que a vida que se vive aqui, tem que saber enfrentar. Aprendi que a pessoa do outro, eu devo amar e respeitar, pois o que eu lhe fizer a mim vai retornar.

Tem gente que acredita e diz que pior que está não fica esta vida na sua mesmice, não sei se isto é verdade ou apenas um jeito de rimar, mas sei que ninguém quer ver o ser humano em esperanças e horizontes, sem condições de lutar.

Por isso é que agradeço quem me ensinou a ler, a escrever, a falar o que sinto e a observar que os valores que eu recebi no meu berço são aqueles que nunca vão se esgotar.

Por isso neste dia tão especial de festa, que não é natal, mas é importante, é preciso que se fale de gratidão, de agradecimento e de valorização deste que sempre foi é e será o mestre. Aquele que apesar de tudo vive para nos ensinar.

Cristiano José de Oliveira

Mensagem postada no site:
http://www.sipromag.com.br/ em homenagem ao Dia dos Professores.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Caricatura Selvagem

Enquanto nos preparamos para o outubro, mês das crianças e dos professores, somos surpreendidos pela eleição, tempo de democracia, cidadania e hipocresia.
São tantas "ias" que a vida perde a sua harmonia, numa tentativa de compreender esta simbologia discursiva dos palcos, palanques e fantasia. Parece que o jeito é se caracterizar de marionetes e brincarmos de faz de conta. Mas, infelizmente não é brincadeira. A coisa é séria.
Não podemos ser idiotas e fingir que tudo esta bem. A banda passa e, enquanto isso alguns restam nos bancos das históricas praças vendo o movimento...

Renato Russo expressou muito bem isso na canção abaixo.

Índios

(Legião Urbana)


Quem me dera, ao menos uma vez,
Ter de volta todo o ouro que entreguei
A quem conseguiu me convencer
Que era prova de amizade
Se alguém levasse embora até o que eu não tinha.

Quem me dera, ao menos uma vez,
Esquecer que acreditei que era por brincadeira
Que se cortava sempre um pano-de-chão
De linho nobre e pura seda.

Quem me dera, ao menos uma vez,
Explicar o que ninguém consegue entender:
Que o que aconteceu ainda está por vir
E o futuro não é mais como era antigamente.

Quem me dera, ao menos uma vez,
Provar que quem tem mais do que precisa ter
Quase sempre se convence que não tem o bastante
E fala demais por não ter nada a dizer

Quem me dera, ao menos uma vez,
Que o mais simples fosse visto como o mais importante
Mas nos deram espelhos
E vimos um mundo doente.

Quem me dera, ao menos uma vez,
Entender como um só Deus ao mesmo tempo é três
E esse mesmo Deus foi morto por vocês -
É só maldade então, deixar um Deus tão triste.

Eu quis o perigo e até sangrei sozinho.
Entenda - assim pude trazer você de volta prá mim,
Quando descobri que é sempre só você
Que me entende do inicio ao fim
E é só você que tem a cura pro meu vício
De insistir nessa saudade que eu sinto
De tudo que eu ainda não vi.

Quem me dera, ao menos uma vez,
Acreditar por um instante em tudo que existe
E acreditar que o mundo é perfeito
E que todas as pessoas são felizes.

Quem me dera, ao menos uma vez,
Fazer com que o mundo saiba que seu nome
Está em tudo e mesmo assim
Ninguém lhe diz ao menos obrigado.

Quem me dera, ao menos uma vez,
Como a mais bela tribo, dos mais belos índios,
Não ser atacado por ser inocente.

Eu quis o perigo e até sangrei sozinho.
Entenda - assim pude trazer você de volta prá mim,
Quando descobri que é sempre só você
Que me entende do início ao fim
E é só você que tem a cura pro meu vício
De insistir nessa saudade que eu sinto
De tudo que eu ainda não vi.

Nos deram espelhos e vimos um mundo doente
Tentei chorar e não consegui.