terça-feira, 24 de março de 2020

INQUIETUDE



Meus sonhos e minhas vontades
Minhas angustias e minhas tristezas
Tenho fome e sede, saudades e alegrias
Tenho meus medos e minha fé
Tenho segredos e inquietações.

Sou feito de carne e de sentimentos
Danço livre no canto vazio do meu quarto
Espreguiço no silêncio do meu sofá
Faço leituras para a alimentar o espírito
E no meu fogão cuido dos melhores sabores
Parece tão pouco!

Vivo um universo de ansiedades
Quero gente! Quero conversar!
Quero trabalhar e correr pelas ruas
Sou a máquina impulsionada pelo tempo!

Agora... eu sei que existe o vento
Que toca as cortinas da minha janela.

Sinto o cheiro dos temperos.
Descubro as cores das plantas.
Das melodias preferidas
Que nunca esqueci
Reencontro palavras

Sei que a saudade de um abraço
Não é apenas a falta do calor
Mas minha necessidade de tocar.

Meu mundo é tão maior que o mundo.
Meu tempo é tão menor que o tempo.
Minha oração bem mais forte que minha prece!
Deus, um ser tão presente!
Deus um toque constante!

Tudo em mim tem causado estranhamento.
O porto não é planejamento.
E o coração é minha mão
Que lava todas as minhas lembranças.

Nisso tudo descubro que há muito mais de que sabia
E que a minha casa tem gente
E que a vida apenas pediu - pausa.

Por onde andei durante todo esse tempo?
Tempo? O que fiz de ti?
O que fizeste em mim?


domingo, 8 de dezembro de 2019

REMINISCÊNCIAS



Minha casa perdida de terra batida
Polida à taipa – pau-a-pique
Saudades do que foi a vida
De tão distante meu Moçambique

Som da terra! Cantiga ao vento!
Corria o sol, removia o chão
Rodas e danças; media o tempo
Era a África o meu coração!

Brasil – promessa nova de mãe gigante
Chorava a saudade fugida à lembrança
No meu sertão, o horizonte doravante
Não nasceu sonho nem cresceu esperança.

Minha casa velha, cobertura de sapê
Sem a água, sem energia
Mordomia para quê?
A casa se desfez no toque do tempo
E o vento continua tocando o que não se vê.


quinta-feira, 31 de outubro de 2019

SAUDADE


Guardada nos velhos retratos
Nas mobílias esquecidas pelos quartos.
Entrelaçada pelas janelas ao quintal
Minha saudade é um amor sem igual.

Nas varandas em sombras frescas
Recordando as histórias pitorescas
No terço, aos pés de Nossa Senhora
A saudade é a oração de todas as horas.

No cheiro do café em coador de pano
Nas palavras abençoadas com sinal da fé
A saudade é cheiro do meu cotidiano.




domingo, 27 de outubro de 2019

PASSAGEM DO VENTO



O vento veio de longe
Cantava pelos montes
Costurava as montanhas
Perscrutava minhas entranhas.

O vento veio ligeiro
Assoviava... era mensageiro
Veio à tarde. Partiu de manhã
Foi tão passageiro!

Foi quietinho; em brisa suave.
Refrescante...  Calmamente.
Decantou o orvalho matinal.

O vento ficou sozinho em noite escura
Renovou as ondas. Não fez nada mal.

Tocou o meu rosto. Secou o meu suor
O vento veio... Ficou pouco tempo!
O vento foi na balada do vento

segunda-feira, 14 de outubro de 2019

SOU PROFESSOR




Sou a voz que ensina e orienta
Que canta, que vibra e que pensa
Sou os olhos que vê o mundo
Que sonha e guarda o mais profundo
Do sentimento, sou a paixão do ato de ensinar
Sou minha profissão, dedicação em educar
Sou o trabalho resistente e a força do dia a dia
Sou o livro, a aula, a lousa e arte com magia
Sou a invenção, a crença, a ciência
Sou a educação, a diferença, a resiliência
Sou os ouvidos sempre atentos, sou escuta
Sou esperança, que ensina e que estuda
Sou o ato de amor!
Sou professor!!!

sábado, 12 de outubro de 2019

PRIMAVERA



Vi o cheiro das flores espalhado pelas asas das borboletas
Com o colorido que tocavam o vento.
As flores dançavam e as borboletas cantavam
Vi o vento tocar a primavera.
Perfumando as folhas do jardim.
Corria a tarde...
Debruçava o sol no fim da montanha
Sabiá cantava para a noite.
Ouvi a coruja recebendo a lua cheia.
Quebrando o silêncio que queria apenas adormecer.


Crisjoli Fingal

domingo, 6 de outubro de 2019

DOMINGO


Não gosto de domingo à noite
Coisa esquisita com saudade doída.
Missa rezada e prece esquecida no altar.
Tem visita amiga;
café com recordação
em história adormecida.
Parece estação de trem
Não sei se é chegada ou partida.
Fim ou começo de semana.
Só sei que amanhã é segunda-feira.