sábado, 16 de maio de 2015

RELATO


Eu não nasci das flores
Não fui polinizado das flores
Não recebi a visita dos colibris
Nem a água do jardineiro
Uma gota molhou minha existência
Eu nasci num jardim
Rodeados de borboletas
Num tempo de primavera
Eu tinha o néctar da vida
Um doce perfume
Misturado ao orvalho da aurora
Eu fui sou a escolha divina
Que soprou a vida.


terça-feira, 12 de maio de 2015

FOLHAS SECAS


Meus olhos se voltam
Para as montanhas
Olho o céu azul
Para recordar minha infância

As folhas secas
São o passar do tempo
A medida do tempo
É a recordação!

Dias de tardes frias
Uma cadeira solitária

Eis o passado
Ocultado pelas folhas secas

Renova o meu coração
Adormecido à terra
As folhas adormecem com o inverno


terça-feira, 5 de maio de 2015

ACOLHER

















Acolher é uma graça. 
Acolher é abençoar. 
Uma atitude da bondade alheia. 
Uma porta que se abre. 
Uma mesa posta. 
Um coração que reparte. 
Uma mão que se estende. 
Uma flor que se doa. 
Um sorriso que diz tudo.
Um abraço que cura a dor mais profunda. 
Um afago que protege. 
Acolher é uma ação de liberdade. 
Uma doação de quem não tem muito, mas tem o tudo. 
Acolher é repartir. 
É incluir. 
É uma oração de amor. 
Acolher é partilhar o pouco que se tem. 
Porque se aprende o que é verdadeiramente essencial. 
A acolhida é uma característica de aprendizagem, que nos ensina ver as coisas que os olhos da carne não são capazes de enxergar. 
Acolher é receber um pouco do outro e dar um pouco de si mesmo. 
Acolher é completar-se. 
Acolher é assegurar ao outro que ele poderá voltar sempre. 
Acolher é fazer-se irmão. 
É constituir-se amigo.

Crisjoli Fingal 

quarta-feira, 15 de abril de 2015

PALAVRAS


EXISTIR


Porque é feito de perfume e beleza,

atrai as borboletas.
Porque é feito de tempo,

germina, frutifica e cai.
Porque é feito de água,

segue o curso dos rios.
Porque é feito da doçura do mel

é levado pelas abelhas.
Porque é feito de amor,

se eterniza.


Crisjoli Fingal 

domingo, 12 de abril de 2015

QUE CIRANDA É ESTA?


Que ciranda é esta que nunca se cansa
Que faz a gente voltar ao tempo de criança.
Que ciranda é esta que balança pelos parques
Que tem piruetas e tantas artes.
Que ciranda é esta cheia de gargalhadas,
Que faz a gente correr e dar tantas risadas
Que ciranda é esta que faz o corpo suar
Que não tem medo de cair e de não se machucar
É esta ciranda que faz a gente ter tanta confiança
Que as brincadeiras da vida, nos fazem criança.
Que ciranda é esta que vamos todos cirandar
Que não tem maldade, pois a ciranda é brincar.
Que ciranda é esta que não tem mais tempo.
Que deixa os cabelos se bagunçar ao vento.
Que ciranda é esta que esta perdida pelos campos
Pelas periferias, nas amarelinhas repletas de encantos.
Que ciranda é esta de meninos e meninas
De velhos e crianças, de sonhos e cantigas
É a ciranda das cordas e das bolas
Das ruas, das praças e das escolas.
É a ciranda que nos fez feliz.
Que parece que agora, está por um triz.
É a ciranda da vida, que não pode ser rompida
É a ciranda do tempo, que não pode ser esquecida
É a ciranda da inocência, que não pode ser perdida
É a ciranda das crianças, que não pode se acabar
É a nossa ciranda, que está adormecida
Só aguardando da gente, o nosso querer brincar.
Crisjoli Fingal

terça-feira, 31 de março de 2015

TALVEZ


Talvez a chama do fogo, não tenha sido feita somente para o pavio.
Talvez a força do vento, não conduza sozinha a vela do navio.
Talvez se sinta a ausência da gota, só quando o copo estiver vazio.
Talvez aquilo que tanto se gosta, não seja algo tão sadio.
Talvez a margem fique mais segura, na próxima curva do rio. 
Talvez se valorize mais a vida, quando se perde a ponta do fio.
Talvez tudo fique tão insignificante, quando não tiver mais desafio.

Crisjoli Fingal