quarta-feira, 19 de agosto de 2015

UMA PARTE DE MIM



Há uma parte de mim, 
que me incomoda, me gira, me roda, 
que parece não ter fim.

Há uma parte de mim, que insiste em nós dois
revira o passado, mostra o lado do antes e do depois
me deixa calado, mas não sou dominado pelos seus ‘ois’ .

Uma parte de mim que é violenta,
me irrita e me tormenta
e não cansa, enfim..

Uma parte de mim...
Que é tão fugaz, astuta e voraz
Que é tão bruta, que me assusta e me compraz.

Há uma parte de mim que é locução
que tem poesia, que é provocação
que rasga a magia do meu coração.

A outra parte de mim é gota, é mar
é faísca, é fogo de pedra a lascar.
Esta parte de mim é vento de longe
que não esconde o tempo pra amar.

Crisjoli Fingal

domingo, 12 de julho de 2015

SERTÃO


A estrada que corta este sertão tem poeira, tem pó, pois é estrada feita de chão. É estrada de gente que pisa a terra, que caminha ao calor do sol, que tem força que move o passo. Gente que busca o frescor da noite para descansar a alma. É sertão esquecido por muitos. Quase não amado por ninguém.  Mas, é sertão de resistência. Sertão de paciência e de esperança. Sertão que sobreviveu ao tempo. Que alimentou o sonho e impulsionou a partida. Sertão de saída e de permanência. Sertão de terras distantes. Que poucos aventuraram. Sertão de muitas histórias. De mãos polidas e calejadas de memória. Sertão de céu azul e chão rachado. Sertão de reminiscências e de rogados. 

Crisjoli Fingal

quarta-feira, 17 de junho de 2015

segunda-feira, 15 de junho de 2015

ORÁCULO


Os guardiões do silêncio
Já se vão repousar
Nos ninhos escondidos
Pelas florestas à beira-mar.
Talvez, a proteção e a cautela
Já estejam ameaçadas
Pelas destrezas mãos humanas.
E as vozes serão tocadas
Pelas mãos e pelas fivelas
E não haverá mais o calar.

Crisjoli Fingal

quarta-feira, 10 de junho de 2015

REGISTROS

Eu precisei afastar um pouco de mim mesmo
Deixei algumas páginas sem ler
De um livro um pouco curto.
Estive ocupado com outros planos.
Era virada de estação
O corpo tinha cheiro de primavera
Mas a lembrança era do outono.
Eu vi o sol adormecer sem vontade
Também vi o fogo consumir a tinta
E o papel morrer no nascer da chama.
Eu ouvi a última fala da noite
E consegui ver o nascer do dia.
Tive cansaço na hora imprópria
E precisei desenhar o caminho
Fui prisioneiro do não
Mas marchei por decisão
Eu estive lá...
Por isso, voltei...
Crisjoli Fingal

sábado, 16 de maio de 2015

RELATO


Eu não nasci das flores
Não fui polinizado das flores
Não recebi a visita dos colibris
Nem a água do jardineiro
Uma gota molhou minha existência
Eu nasci num jardim
Rodeados de borboletas
Num tempo de primavera
Eu tinha o néctar da vida
Um doce perfume
Misturado ao orvalho da aurora
Eu fui sou a escolha divina
Que soprou a vida.


terça-feira, 12 de maio de 2015

FOLHAS SECAS


Meus olhos se voltam
Para as montanhas
Olho o céu azul
Para recordar minha infância

As folhas secas
São o passar do tempo
A medida do tempo
É a recordação!

Dias de tardes frias
Uma cadeira solitária

Eis o passado
Ocultado pelas folhas secas

Renova o meu coração
Adormecido à terra
As folhas adormecem com o inverno