domingo, 8 de dezembro de 2019

REMINISCÊNCIAS



Minha casa perdida de terra batida
Polida à taipa – pau-a-pique
Saudades do que foi a vida
De tão distante meu Moçambique

Som da terra! Cantiga ao vento!
Corria o sol, removia o chão
Rodas e danças; media o tempo
Era a África o meu coração!

Brasil – promessa nova de mãe gigante
Chorava a saudade fugida à lembrança
No meu sertão, o horizonte doravante
Não nasceu sonho nem cresceu esperança.

Minha casa velha, cobertura de sapê
Sem a água, sem energia
Mordomia para quê?
A casa se desfez no toque do tempo
E o vento continua tocando o que não se vê.


quinta-feira, 31 de outubro de 2019

SAUDADE


Guardada nos velhos retratos
Nas mobílias esquecidas pelos quartos.
Entrelaçada pelas janelas ao quintal
Minha saudade é um amor sem igual.

Nas varandas em sombras frescas
Recordando as histórias pitorescas
No terço, aos pés de Nossa Senhora
A saudade é a oração de todas as horas.

No cheiro do café em coador de pano
Nas palavras abençoadas com sinal da fé
A saudade é cheiro do meu cotidiano.




domingo, 27 de outubro de 2019

PASSAGEM DO VENTO



O vento veio de longe
Cantava pelos montes
Costurava as montanhas
Perscrutava minhas entranhas.

O vento veio ligeiro
Assoviava... era mensageiro
Veio à tarde. Partiu de manhã
Foi tão passageiro!

Foi quietinho; em brisa suave.
Refrescante...  Calmamente.
Decantou o orvalho matinal.

O vento ficou sozinho em noite escura
Renovou as ondas. Não fez nada mal.

Tocou o meu rosto. Secou o meu suor
O vento veio... Ficou pouco tempo!
O vento foi na balada do vento

segunda-feira, 14 de outubro de 2019

SOU PROFESSOR




Sou a voz que ensina e orienta
Que canta, que vibra e que pensa
Sou os olhos que vê o mundo
Que sonha e guarda o mais profundo
Do sentimento, sou a paixão do ato de ensinar
Sou minha profissão, dedicação em educar
Sou o trabalho resistente e a força do dia a dia
Sou o livro, a aula, a lousa e arte com magia
Sou a invenção, a crença, a ciência
Sou a educação, a diferença, a resiliência
Sou os ouvidos sempre atentos, sou escuta
Sou esperança, que ensina e que estuda
Sou o ato de amor!
Sou professor!!!

sábado, 12 de outubro de 2019

PRIMAVERA



Vi o cheiro das flores espalhado pelas asas das borboletas
Com o colorido que tocavam o vento.
As flores dançavam e as borboletas cantavam
Vi o vento tocar a primavera.
Perfumando as folhas do jardim.
Corria a tarde...
Debruçava o sol no fim da montanha
Sabiá cantava para a noite.
Ouvi a coruja recebendo a lua cheia.
Quebrando o silêncio que queria apenas adormecer.


Crisjoli Fingal

domingo, 6 de outubro de 2019

DOMINGO


Não gosto de domingo à noite
Coisa esquisita com saudade doída.
Missa rezada e prece esquecida no altar.
Tem visita amiga;
café com recordação
em história adormecida.
Parece estação de trem
Não sei se é chegada ou partida.
Fim ou começo de semana.
Só sei que amanhã é segunda-feira.


terça-feira, 29 de janeiro de 2019

O QUE VALE A VIDA, VALE?


O que vale a vida, VALE?

O quanto vale a vida, se é que algo lhe vale.
Diante da triste realidade, para que a voz não se cale
Mais um rastro de morte, é isso que vale, VALE?
Muitos agora se foram neste vale...


E não foi ontem e nem anteontem
Que a cena cruzou o “fundão”
Agora mais uma passagem sofrida,
Que tira mais vida, soterrando “feijão”!


Nós aqui, como bons mineiros
Não sofremos só um cadinho.
A gente chora de corpo e por inteiro
Com as lágrimas de Brumadinho.


O que quer que hoje vos fale
Nossa indignação: Oh, VALE!
Será que o que vale é o seu capital
Convença-nos, se lhe foi dito algo irreal!


Oh, Mariama! Mãe Querida!
Cuidaste das dores de Mariana
Agora, suplicamos teu carinho.
Cuide mais uma vez dos mineiros
E das dores, dos de Brumadinho.




25/01/2019  Crisjoli Fingal