sábado, 10 de outubro de 2009

ABALO


Fico a espera
De um sentimento
Para tentar convencer-me
De que ando no caminho certo.

Toda tentativa,
Até então
De nada me acrescentou.

Sei que meus passos
São tão fortes
Quanto meus pensamentos,
E toda atitude
Reforça o abalo
Das minhas convictas utilidades.

Vou, agora
Para o outro céu
Em busca do planetário.


Sei que lá germina
O delírio da meia-noite.

Crisjoli Fingal

sexta-feira, 17 de julho de 2009

MEU ALFABETO

Perdi-me uma vez
Com as letras do alfabeto.
Fiquei desnorteado
Com a palavra Amor.
Na letra B
Ficou saudades
Do último Beijo
Se o C, não me identificasse
Por completo: CRISTIANO
Correria...
Deixei Dia-a-dia
A vida numa Dedução.
Mas, o D marcou profundamente...
Com um Doce amigo
Com a vogal E
Saiu Energia, Efervescência
Era Enigmático
O E foi e o E voltou
Mas, nenhum deles ficaram...
Acho que Errei...
Ainda bem que um deles
Foi verdadeiramente Elegante!
O F, ficou apenas Fantasiado
Agora,
Ganhei mais uma chance:
a de gerar o meu Hoje...


Crisjoli Fingal

quarta-feira, 8 de julho de 2009

DOZE MEDITAÇÕES
















Sonhar é fácil. Difícil é executar os sonhos!
Ter filhos é fácil. Difícil é educá-los no amor!
Conquistar amigos é fácil. Difícil é conservá-los!
Prometer é fácil. Difícil é cumprir!
Pedir é fácil. Difícil é agradecer!
Falar é fácil. Difícil é saber ouvir!
Receber é fácil. Difícil é saber doar!
Criticar é fácil. Difícil é fazer melhor!
Apontar os erros é fácil. Difícil é consertá-los!
Plantar é fácil. Difícil é ajudar a crescer!
Exigir é fácil. Difícil é ser fiel!
Orar é fácil. Difícil é cumprir os mandamentos de Deus!

Crisjoli Fingal

sábado, 4 de julho de 2009

RETRATOS


Marcados, macabros são teus passos
Doloridos, doídos teus regaços
Fadados, roubados são teus laços
Queridos, feridos aos bagaços.

Teus lábios, um melaço
Tua magia, aos pedaços
Tua fuga, ao rechaço
Tua vida, nos meus braços

Tua pequenez nos abraços
Teu medo eu despacho
O nó eu desfaço

Se você não fizer, eu faço
Mas do meu jeito de palhaço
Se não der certo, eu repasso.


Crisjoli Fingal

terça-feira, 30 de junho de 2009

POR DO SOL


No fim do dia
Tua luz já parte
Nas montanhas das Gerais
Você faz a despedida.

Parte o sol
Leva o nosso dia
O cansaço dos filhos da mãe terra.
Conquistas e sofrimentos
Do trabalho humano.

É preciso que vás
À noite...
À porta...
Já anseia!
Trazer aos homens o descanso.

No céu avermelhado
Nas florestas, os pássaros entoam
O louvor do adeus.
Retornam a casa, os homens.

Vida e leito se misturam.

Preparam-se para que
Amanhã possas te receber
Novamente.
Vás, mas retorna-te
Porque a vida continua.

Crisjoli Fingal

sexta-feira, 26 de junho de 2009

CORAÇÃO AFRICANO



Ferido o peito com o suor
Das montanhas e dos cerrados
Das calejadas mãos
Dos negros escravos.

Abrindo os campos
Ceifando aos cantos
Suplicaram à Mãe
Que aliviassem os prantos

Plantando o Brasil!
Nos engenhos e senzalas
Esperaram a liberdade
Com o sonho que iguala

O Brasil é negro!
Da força e da dignidade
Do trabalho nas fazendas
Das Minas da Liberdade

Com os pés no chão
E o coração na África
Dançaram a saudade
Nas terras da América

Zumbi dos Palmares
Do sangue das velhas matas
Por uma sociedade sem males
Sem o preconceito que fere e mata.


(Poesia para o Concurso da Raça Negra em Pouso Alegre - 2008)


Crisjoli Fingal

terça-feira, 23 de junho de 2009

PALAVRAS EXPRESSAS

Já passei inúmeras vezes
Ao lado de um sonhador
Nunca descobri seus sonhos
Muito menos, sua dor.

Não vi suas ilusões
Nem ouvi seu clamor.

Sua vida parecia simples
Como a vida de uma flor:
Desabrochava antes do sol
Recolhia ao seu pôr.

Não sei se tenho sonho
Ou se, o que sinto é amor.
Porque tem tanta voracidade!
Invade-me de furor!

Sinto a fragrância da vida
E a força do calor.


Crisjoli Fingal

domingo, 21 de junho de 2009

CANÁRIO DA TERRA

Algo me faz lembrar
Das coisas da minha terra
Quando ouvia cantar
Os canários da terra

Naquela cidade pacata
Escondida entre as serras
Nos verdes das matas
Vieram os canários da terra

Quem disse que já foi a “Parada”
Na história que encerra
Na consciência da criançada
Nasceram os canários da terra

Meio ambiente e educação
Parceria que nunca erra
Na alma e no coração
Cantam os canários da terra

Na torre da igreja
A vida se faz quimera
A prece se goteja
Unindo aos canários da terra.


Crisjoli Fingal

(Poesia em homenagem a Olímpio Noronha - MG (Antiga Parada de Santa Catarina) pelo trabalho de preservação dos canários da terra)

sábado, 20 de junho de 2009

GOTAS DE SUOR

Caminho às margens deste abismo
procurando por uma passagem
Que me leve para o outro
lado desta imagem

Seguro na ponta deste fio.
Deste medo interminável.
Buscando me assegurar
Que a vida não é incansável

Sinto o cheiro do suor
Pelas gretas deste imenso vale.
A cada gota que se parte
Sinto que a voz se cale.

Morrerei na hora
Da verdadeira passagem
Não podendo mais reagir
Com o fim desta linguagem.


Crisjoli Fingal

quinta-feira, 11 de junho de 2009

INSTANTE


Ao lado, no meu canto
Perdi o encanto
Me pergunto: até quando?
Viverei este espanto.

Aqui na saudade
Não há mais vaidade
A antiga seriedade
Fugiu sem vontade

Opaco e parado
Meu mundo, o passado
Ficou de lado
O desejo desequilibrado

Agora, vou me levantar
Deste instante vou levar
Apenas meu pensar
Ao me retornar.

O dia que começou
Com proezas revoou
O pensamento que chegou
Num instante já passou!




Crisjoli Fingal

quarta-feira, 10 de junho de 2009

ATITUDE


Trocaram as botas

do gato da vizinha

Borboletas revoam

nos quintais, sozinhas.


Uma atitude!

Uma dose de amor.

Um perfume.

Um néctar da flor.



Sensação arrepiante

Doce veneno!

Meu puro Calmante.



Crisjoli Fingal

Cora Coralina

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